A vida é um dom, é graça de Deus.

Estamos de passagem neste mundo e a qualquer momento podemos perder alguém querido, alguém que amamos. Se existe algo certo na vida, é a morte. No entanto, ao olharmos para a morte devemos valorizar a vida como uma forma e oportunidade de nos prepararmos para a eternidade com Deus.

Jesus mesmo garante: “Todo aquele que o Pai me dá virá a mim, e o que vem a mim não o lançarei fora. Pois desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou.  Ora, esta é a vontade daquele que me enviou: que eu não deixe perecer nenhum daqueles que me deu, mas que os ressuscite no último dia” (Jo 6, 37-40).

Mas o que acontece com cada um de nós assim que morremos? Vamos direto para Deus? Nossa alma já tem um destino definido? O padre Dirceu Junior dos Reis, da paróquia São José Operário concedeu uma entrevista à Revista Coração de Jesus e tirou as dúvidas sobre morte, céu, inferno e purgatório.

Como cristão católico, como encarar a morte, como lidar com a dor da perda?
Diz Santa Terezinha: “Não morro, entro para a vida”. Com essas palavras é possível entender, acima da dor, a beleza da morte. Esse é encontro definitivo com o Autor da Vida. Por isso, a morte não é o fim do homem e, sim sua passagem para uma nova vida tendo a visão beatífica de Deus, por isso a vida com Deus. Uma graça possível a todos nós. A dor que sentimos é natural, a separação de alguém que amamos no gera uma dor. Viver o luto é fazer a experiência da dor da separação. Mas essa dor não é a experiência mais forte vivenciada pelos cristão no momento da morte de alguém. A experiência mais forte é o fortalecimento da esperança na Ressurreição. A última inimiga, a morte, foi vencida pelo Cristo Ressuscitado. Por isso, a pergunta que ouvimos na liturgia: “ó morte, onde está tua vitória ?” alimenta ainda mais nossa certeza na Ressurreição. Os que com Cristo morrem, com Cristo Ressuscitarão.

Mas existe o purgatório o céu e o inferno?
Sim, existem. Diante dos nosso desafios em compreender essas realidades fora dos nosso parâmetros de tempo e espaço. Podemos entender que essas três realidades são acessíveis a todas as criaturas. Jesus não veio para condenar, mas para salvar. Por isso, o céu é destinado a todos os homens.

O que é Juízo particular?
Logo após a morte, nesse encontro particular seremos julgados pelas obras de fé ou a ausência delas. Uma graça poder experimentar a visão beatífica de um Deus que se chama misericórdia.

Existe um céu?
Sim, lugar dos bem aventurados. As bem aventuranças cultivadas e vivenciadas durante a nossa peregrinação neste mundo nos conduzirão para a realidade que jamais passará, o céu.

E o inferno?
Existe. A morte não nos tira a liberdade. Por isso, o inferno é a auto exclusão da presença divina. Ali Deus não habita.

O que é o purgatório?
O purgatório é uma realidade oportuna para adquirir a graça com a qual não conseguimos adquirir antes da morte. O purgatório enriquece daquilo que antes era ausente, a graça, a pureza e a retidão para ver a Deus tal como Ele é.

Por que rezar pelos mortos?
A nossa fé tem uma identidade que une a Igreja terrestre da Igreja celeste, a intercessão. Rezar pelos mortos é interceder por eles. Para que Deus, no seu amor de Pai, conduza todos à vida eterna, inclusive os que estão no purgatório adquirindo o que lhes falta. E pela nossa oração o Senhor jamais se esquecerá de um filho Seu.

O padre Dirceu Júnior dos Reis é graduado em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná – Campus Maringá e Bacharel em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná – Campus Londrina. Com Pós graduação em comunicação pela Prontifica Universidade Católica de São Paulo. No campo fiosófico pesquisa dentro da filosofia moderna o pensamento de Immanuel Kant (Moral) e no teológico o pensamento de Karl Rahner.

 

Por Julie Bicas
Jornalista

 

 

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