Santidade

Falar de santidade hoje em dia parece coisa do século passado, mas ainda hoje cada um de nós é convidado a este projeto de vida. E nada de atos heroicos ou grandiosos. Sim, a santidade é vivida no dia a dia, em pequenos gestos e atitudes que nos levam a ela. Assim, nos fala a exortação apostólica Gaudete et Exsultate do Santo Padre o Papa Francisco (cf. n. 11).

“Cada um por seu caminho”, diz o Concílio. Por isso, uma pessoa não deve desanimar, quando contempla modelos de santidade que lhe parece inatingível. Há testemunhos que são úteis para nos estimular e motivar, mas não para procuramos copiá-los, porque isso até afasta- nos do caminho, único e específico, que o Senhor predispôs para nós. Importante é que cada crente discirna o seu próprio caminho e traga à luz o melhor de si mesmo, quanto Deus colocou nele de muito pessoal (cf. cor 12,7), e não se esgote procurando imitar algo que não foi pensado para ele. Todos estamos chamados a ser testemunhas, mas há muitas formas existências de testemunho”.

Diante desta fala do Papa Francisco, pode se afirmar que a santidade é um caminho-testemunhal-pessoal, único e intransferível. É vivido na totalidade de nossas vidas, em cada ação realizada, nas lutas diárias, nos afazeres domésticos, na educação e promoção dos nossos filhos e na vivência da nossa vocação específica. Às vezes, somos tentados a pensar que a santidade é reservada apenas àqueles que se dedicam à oração, meditação da palavra e aos trabalhos na Igreja, em outras palavras, àqueles que se afastam das ocupações terrenas – comuns, o que nos leva a pensar  em bispos, sacerdotes e religiosos (as). Todos nós fomos chamados à santidade, nós que somos batizados na Morte e Ressurreição de Cristo, pela vivência da caridade e através do oferecimento do próprio testemunho e missão.

O Cardeal Van Thuan, que viveu por um tempo em cárcere, conta em seu livro Testemunhas da esperança sobre sua busca pela vivência da santidade no momento presente.  Lá tomou a decisão como ele nos diz de “Viver o presente momento, cumulando – o de amor”, e como o concretizava “aproveito as ocasiões que vão surgindo cada dia para realizar ações ordinárias de forma extraordinárias”. Como o Cardeal Van Thuan, ao viver desta forma, sob a força e ação da graça de Deus e principalmente nos deixando conduzir como uma criança que confia plenamente em seu pai, vamos crescendo em estatura e graça Com e Em Cristo Jesus,  que se lança nos braços do Pai confiante em Seu amor. A medida que nos abandonamos Nele, nos conformamos ao Seu querer e ao Seu projeto de amor a qual sonhou desde a eternidade  para nós. Através deste testemunho de acolhida e abandono fortalecemos o caminho de santidade dos nossos irmãos e irmãs. Mas, para que isso aconteça é importante reconhecer-nos pecadores, somente o arrependimento sincero, transparente e profundo de que somos necessitados da misericórdia de Deus e em tudo dependentes da Graça nos conduz à santidade . O esforço humano, o conhecimento ou até mesmo práticas de meditação e ascese não podem nos tornar santos. E sim, este reconhecer- se limitado e o abandonar-se em Deus, em Suas mãos providentes, pois  Ele conhece quais são as nossas fraquezas, nossas mazelas e  dons. Age em nós e através de nós à medida que nos abrirmos e damos espaço à Sua ação transformadora  que atua em nossa história de maneira progressiva, dando a esta figura que se encontra dilacerada e limitada pelo pecado traços e forma de santidade.

Hoje, como antigamente na Igreja, existem ideologias e heresias que nos desviam deste abandono no Pai, muitas delas se apresentam de maneira sutil, entram em nosso pensar e agir como se fossem doutrinas cristãs. Contudo, não podemos nos deixar enganar, tendo em vista que somos tentados a nos apoiar nelas e em outras práticas elevadas de ascese e de auto-salvação. Exemplo destas são o pelagianismo e o gnosticismo atual,  que encerram a vivência cristã em um conjunto de ações, leis e conhecimentos que matam o amor.  Não há salvação sem conformar nossa vida à Cristo Jesus , Senhor de tudo e de todos.  Por meio da Sua Cruz, o Pai nos convida a sermos novas criaturas, crucificar Com e N’Ele tudo aquilo que  nos impede à santidade, como nos diz o Papa Francisco (cf. n. 24) – “Oxalá consigas identificar a palavra, a mensagem de Jesus que Deus quer dizer ao mundo com tua vida. Deixa-te transformar, deixa-te renovar pelo Espírito, para que isso seja possível, e assim a tua preciosa missão não fracassará. O Senhor levá-la-á a cumprimento mesmo no meio dos teus erros e momentos negativos, desde que não abandones o caminho do amor e permaneças sempre aberto à ação sobrenatural que purifica e ilumina”. Por fim, busquemos discernir qual é o Caminho de santidade que o Pai sonhou para nós. E através de um bom exame de consciência averiguar como estas ideologias e heresias tem tomado forma e rosto em nossa vivência e busca pela santidade.

 

Por Greiciane Santos
Jornalista

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