Saúde mental

Comece o ano cuidando dela!

A partir de 2014 os diversos Conselhos Regionais de Psicologia vêm incentivando e promovendo cada início de ano com a campanha Janeiro Branco por uma cultura de cuidado e atenção com a Saúde Mental. Ter saúde mental não quer dizer somente não ser portador de um transtorno mental/emocional diagnosticado. Ser saudável mental e emocionalmente diz respeito a todo ser humano que, em sua caminhada cotidiana, sabe como enfrentar suas adversidades e conflitos, de maneira adequada, usando suas potencialidades, mas, também, reconhecendo seus limites.
Estamos vivendo um momento social bastante complexo, quando comportamentos compulsivos nas diversas áreas: jogo, sexo, uso de drogas, consumo, etc. além de ansiedade/estresse e depressão, como que sequestram emocionalmente os mais vulneráveis, tirando-lhes a capacidade de livres e saudáveis escolhas.
A extrema rapidez e eficiência proporcionada pela tecnologia, se, por um lado permitem informações e comunicações oportunas e necessárias em tempo real, por outro, quando usadas de forma abusiva, podem tornar as relações sociais privadas de uma das mais excelentes virtudes humanas: a capacidade de escutar o outro de modo atento e afetivo. A escuta parece ter sido relegada a um segundo plano, em favor de uma relação mais virtual e superficial. As pessoas têm que ser escutadas, e isso exige tempo, atenção e disponibilidade!
O número de suicídios aumentou significativamente, inclusive entre adolescentes! Falta de sentido na vida? Angústia não escutada? Momentos não compartilhados de maneira afetiva? Um enigma que aguarda deciframento…
As pessoas, em sua maioria, preferem uma receita de ansiolíticos ou antidepressivos – porque mais rápidas – que agendarem uma entrevista inicial com uma psicóloga ou psicólogo, para saber das possibilidades e eficácia daquilo que, desde os tempos de Freud, se denominou a “cura pela palavra”. Hoje sabemos que nosso mal-estar mental/emocional, senão simbolizado e externado por nossas palavras, pode sim, se transformar em sintomas e doenças psicossomáticas. Falar ou adoecer, eis a questão de nossos tempos!
Os profissionais da área de saúde mental: psicólogas(os), psiquiatras, neurologistas, etc. também têm valorizado a questão da espiritualidade e religiosidade, como fator de proteção para uma relação mais harmoniosa com a vida e seus desdobramentos, ora mais favoráveis, ora mais adversos. Ter uma prática religiosa saudável e uma espiritualidade, entendida como relação significativa com valores e sentido de vida, além de escutar e sermos escutados com atenção e sem julgamentos por um(a) psicoterapeuta, podem sim, fazer de nosso branco janeiro, o início de uma vida mais criativa e consciente das inúmeras tonalidades emocionais que compõem nosso dia a dia.

 

Por José Carlos da Silva Camargo
Psicólogo – CRP-08/12173

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