A REDENÇÃO

         Nesse capítulo iremos entender melhor a redenção. Para tanto precisamos recordar um pouco da história daquela época.

         O Império Romano conquistou muitos territórios na Europa, África e no ocidente da Ásia. Mas permitia que cada país tivesse suas leis e costumes.  E em Israel não era diferente. A região da Palestina, na época de Jesus, tinha como chefe o rei de Roma. Entretanto, os judeus tinham o seu rei, Herodes, e o governo era constituído por um parlamento, denominado Sinédrio.

         O parlamento não era formado por políticos como temos hoje, mas sim por sacerdotes judeus, que não faziam distinção entre religião e política. Além deles, o Sinédrio também era composto pelos fariseus, “pessoas que dedicavam sua maior atenção às questões relativas à observância das leis de pureza ritual, inclusive fora do templo” (Opus Dei. org), e pelos escribas que eram os responsáveis pelas leis.

         Todos eles pensavam em ter um reino político. Eram aproveitadores e roubavam a população. Sim, nos tempos de Jesus já havia corrupção.

         A vida espiritual praticamente não existia. E quando pensavam na vinda do Messias, esperavam um rei, cheio de pompas, com coroa de ouro e cheio de autoridade. Contrariando as expectativas e para mostrar que o Filho de Deus não seria um rei qualquer, Deus enviou seu Filho, que nasceu em uma gruta de Belém, tendo como pais um casal da aldeia de Nazaré, muito humildes e piedosos.

         Devemos lembrar que no Evangelho de Mateus (Mt 2,1-12) – o rei Herodes sabendo pelos magos que nasceu, naquela noite em Belém, um menino que seria o Rei do Judeus, mandou matar todos os meninos que tinham menos de dois anos. Nessa passagem, vemos o medo que aqueles homens autoritários tinham de perder o poder e todas as riquezas que possuíam a custa da população. Trinta anos depois, esse medo retornou, quando Jesus iniciou sua vida pública.

         Jesus desde o inicio arrastou multidões. Todos queriam ouvir seus ensinamentos e serem curados. Mas o medo daqueles homens do Sinédrio converteu-se em ódio, quando Jesus os condenou publicamente pela avareza, hipocrisia e dureza de coração (Trese, 2014). Após esse episódio, começaram a maquinar um plano para matar Jesus. Tentaram muitas vezes O prender, mas ainda não havia chegado Sua hora. Então decidiram que precisavam da ajuda de alguém próximo de Jesus, que O conhecia muito bem, e que pudesse entregá-Lo. Encontrou um traidor perfeito, Judas Iscariotes, um dos doze.

         Judas Iscariotes já era conhecido na cidade por sua má índole. Costuma roubar coisas das pessoas. E Jesus quando o chamou sabia de tudo isso. E sabia também quem O iria entregar para o calvário. Tudo estava escrito nos planos de Deus. E assim se cumpriu a escritura. Judas O entregou.

         Jesus fora acusado de proclamar-Se Deus e para eles era uma blasfêmia (lembrando que eles esperavam um rei pomposo e não um rei cheio de humildade). A blasfêmia era considerada gravíssima e quem a cometia deveria morrer. Pôncio Pilatos era o governador romano, que ficou responsável por julgar Jesus. Só Roma poderia julgar e tirar a vida de qualquer cidadão. Pilatos não queria condenar Jesus, pois não observou em nELE os crimes dos quais era acusado. Mas os chefes dos judeus ameaçaram Pilatos de denunciá-lo a Roma para destituí-lo do cargo. A população, a mesma que andava com Jesus e que muitos de seus membros foram curados, também condenava Jesus. Pilatos se rendeu a chantagem e condenou Jesus a morte.

         Jesus foi brutalmente açoitado e colocaram-No uma coroa de espinhos. Jesus deveria morrer na Cruz para salvar toda a humanidade. Ele morreu para nos dar a vida. Até esse momento, nenhuma alma podia entrar no céu, ninguém podia ver a Deus face a face. Os planos de Deus estavam se cumprindo.

         A redenção de cada um de nós iniciou-se com a morte de Jesus no alto da Cruz. Jesus desceu a mansão dos mortos. As almas que não mereciam o inferno, e que antes estavam em um estado de felicidade natural (no limbo) sem ter a visão direta de Deus, foram resgatadas por Jesus e ganharam o céu. Eram felizes, mas não completamente. Agora passaram a gozar do amor infinito de Deus.

         No terceiro dia, Jesus ressuscitou dentre os mortos com um corpo glorificado, livre de qualquer limitação do mundo. Assim seremos nós no dia da nossa ressurreição. Mas Jesus não subiu diretamente ao céu. Ele permaneceu 40 dias na terra para completar a preparação dos apóstolos e enviá-los a missão. Na noite do domingo de Páscoa, deu-lhes o poder de perdoar os pecados – instituição do Sacramento da Confissão; depois instituiu Pedro como o chefe da Sua Igreja. Explicou-lhes sobre o Espírito Santo e mostrou-lhes como deverá ser o ministério. Na Quinta- feira, dia da Ascensão ao Céu, Jesus enviou seus apóstolos para pregarem ao mundo inteiro. Ele fez também algumas outras aparições, dentre elas para os discípulos de Emaús, Maria Madalena e talvez, para Nossa Senhora, mesmo que não haja relatos nas sagradas escrituras.

         Jesus subiu ao céu. Completou-se a redenção.

 

Para refletir:

  • Tenho consciência do amor que Deus tem por mim?
  • O que tenho feito diariamente para corresponder a esse infinito Amor? 

         Recomendo a meditação da Via Sacra, toda sexta – feira, para crescermos no amor a Jesus.


Vamos pedir a ajuda de nossa Mãe, Nossa Senhora, para que Ela nos ajude a corresponder fielmente ao amor que Deus tem por nós.

 

Andressa Pelaquim
(Paroquiana da Catedral Metropolitana de Londrina)

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