O Primeiro Mandamento

         Através desse artigo, daremos inicio ao estudo dos dez mandamentos. Relembrando que, os mandamentos não são meras proibições, mas sim uma ajuda que Deus nos deixou para vivermos bem aqui na terra e para o fim ao qual fomos criados.

           

Amar a Deus sobre todas as coisas

         Deus nos criou para amá-Lo, e, portanto, nosso fim último é dar honra e glória a Ele. Qualquer outro motivo seria indigno de Deus.

         No antigo testamento, observa-se que as pessoas costumavam cultuar vários deuses, mesmo recebendo muitas graças de Deus. Não eram fiéis a Deus e não seguiam os ensinamentos. No livro do Êxodo, Deus escreveu nas tábuas de pedra de Moisés todos os mandamentos. O primeiro dizia: “Eu sou o Senhor, o teu Deus, que te tirou do Egito, da terra da escravidão. Não terás outros deuses além de mim.” E Jesus então resumiu o primeiro mandamento em: “Amar a Deus sobre todas as coisas.” Portanto, o primeiro mandamento nos lembra de que devemos oferecer culto supremo somente a Deus, pois Ele é o nosso Criador e o nosso fim.

         O primeiro mandamento abarca todas as virtudes teologais- fé, esperança e caridade. Ele nos obrigada a estudar e a conhecer a nossa fé. O estudo sobre as verdades da nossa fé deve ocorrer durante toda a vida. Muitas tentações e equívocos seriam evitados se buscássemos mais conhecer a Deus

         Os atos fé são uma grande forma de prestarmos culto ao nosso Senhor. Devemos fazer com muita frequência durante o dia, e principalmente, no tempo que dedicamos a oração de manhã e a tarde. Além disso, devemos realizá-los quando se apresentar uma tentação contra uma determinada virtude ou algo que vai contra a fé cristã.

         Em vários ambientes, ser católico e professar a fé coerentemente são absurdos.  Mas negá-la é negar a Deus. E quando negamos a Deus estamos pecando. Por isso que temos que conhecer a fé católica. O conhecimento nos fortalece para encarar os ambientes pagãos.  Dessa forma, os pecados referentes ao primeiro mandamento estão no âmbito da fé.

 

Pecados contra a fé

         Não buscar o conhecimento sobre as verdades de fé reveladas por Deus e não acreditar nelas é o principal dos pecados. Mas também há outros pecados.

         A apostasia é o pecado cometido por quem abandona completamente a fé. São pessoas que muitas vezes já foram católicos e que já não acreditam em mais nada. É diferente de um relaxamento, no qual a pessoa não vai a missa, não busca os sacramentos, mas continua a crer na fé católica. Pode-se dizer que é um católico preguiçoso. Mas em ambos os casos há pecado grave. Uma grande causa de apostasia é a soberba intelectual.

         As universidades são grandes celeiros de pagãos. Infelizmente, muitas pessoas acham que seu intelecto é superior a qualquer coisa, até superior a Deus. Devemos tomar cuidado com a soberba. Ela existe dentro de nós e devemos dominá-la. A inteligência nos foi dada por Deus, e devemos utilizá-la para dar glória a Ele e não o contrario.

         Outro pecado contra fé é a heresia que é uma rejeição parcial da fé. O herege é um batizado que se recusa a acreditar em uma ou mais verdades de fé reveladas por Deus e ensinadas pela Igreja Católica (Trese, 2014). Quando um batizado rejeita um dogma de fé, está rejeitando a todos. Exemplos de dogmas de fé: a concepção virginal de Jesus, a Imaculada Conceição e etc.

         O indiferentismo também é um pecado grave contra a fé. Quem comete esse pecado afirma que todas as religiões são iguais e que escolher uma, outra ou nenhuma é uma questão de preferência ou da educação recebida em casa. Pregam também que as obras são muito mais importantes do que aquilo que se crê. Essa mentalidade é muito comum em países que se dizem ser “mente aberta”. 

         Algo que também é pecado grave contra a fé é a participação de católicos em cultos protestantes ou de outras religiões. Somente em casos descritos pela Igreja no âmbito do ecumenismo é que católicos podem participar de celebrações não-católicas. Receber comunhão em culto protestante também é pecado grave contra a fé.

           

Pecados contra a esperança e a caridade

  •            Esperança 

         Ter esperança é prestar culto a Deus. É a forma que temos de expressar nossa confiança nEle que é um Pai amoroso, onisciente e poderoso. Quando fazemos um ato de esperança temos a certeza de que Deus nos dará o céu e que só o perderemos se não O amarmos, ou seja, por nosso culpa.

         Há dois pecados contra a esperança: a presunção e o desespero. Na presunção, a pessoa procura arrancar de Deus uma graça e não tem e não faz a sua parte. Expõe-se a ocasiões de pecado sabendo que é fraco e que não consegue resistir. O desespero é o oposto da presunção. No desespero a pessoa espera pouco de Deus, acha que Deus não irá perdoá-la. Esse foi o pecado cometido por Judas Iscariotes. É um pecador que tem remorsos, mas não um coração contrito.

  • Caridade

         A verdadeira caridade é amar a Deus de todo o coração. Amar a Deus porque Ele é a bondade, Ele é o Amor.

         A caridade não consiste em sentimentalismos.  Amamos a Deus fazendo o que Ele nos pede, evitando o pecado e amando todas as almas que Ele criou. Nesse ponto pode ocorrer uma questão: tenho que amar até quem eu não gosto? Tenho que amar aquela pessoa que implica comigo, que me feriu? A resposta é SIM. Amar o próximo como a ti mesmo significa amar por amor de Deus. É um amor sobrenatural que não reside nas emoções. Mesmo tendo uma antipatia com tal pessoa, queremos que ela se torne melhor e rezamos por ela para que alcance o céu.

         Pecados contra a caridade: ódio – espírito de rancor e vingança contra o próximo. Há também o ódio a Deus; inveja; pecado de escândalo e a tibieza – que é uma preguiça espiritual que leva ao desprezo pelos bens espirituais.

 

Sacrilégio e superstição

         O pecado de sacrilégio pode acontecer quando um batizado encontra-se em pecado mortal e recebe a Sagrada Eucaristia. Nesse caso o fiel cometeu um pecado grave. Mas também é pecado de sacrilégio maltratar pessoas, lugares ou coisas sagradas.

         O pecado de superstição refere-se a atribuição de poderes que só pertencem a Deus a pessoas ou coisas criadas. Dessa forma, ir à cartomante, jogar búzios, cartas, horóscopo, videntes, etc., configura pecado grave contra o primeiro mandamento. Só Deus conhece o nosso futuro. Buscar por essas coisas é uma desonra a Deus.

         Aqui vale uma observação em relação aos santos e a Santíssima Virgem. Os não-católicos afirmam que os católicos prestam culto aos santos e a Nossa Senhora. Mas isso não é verdade. Os católicos não prestam aos santos o culto chamado latria, que é a adoração que se deve só a Deus.

         Quando rezamos aos santos e a Santa Maria pedimos ajuda, para que eles rezem por nós a Deus. Eles não fazem nada por nós e nem nos concede nada. Quem faz e concede é Deus. Além disso, honrar os santos não diminui o nosso amor a Deus, pelo contrário, os santos foram pessoas que tiveram uma vida santa e que estão ao lado de Deus. Portanto, são amados por Deus. Honramos os santos e a Virgem e adoramos somente a Deus.

 

         A partir desse artigo, busque fazer um exame de consciência e reflita se você tem amado a Deus sobre todas as coisas ou se está colocando tudo e todos no lugar que somente Deus deveria ocupar.

 

Andressa Pelaquim
(Paroquiana da Catedral Metropolitana de Londrina)

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